segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Análise Técnica - Direita de ataque

video
Aspectos Importantes:


- Intensidade dos apoios. Passos rápidos, curtos (ajuste), intensos.
- Procurar a bola no pontos mais alto ("tirar tempo").
- Dominar apoios estáticos e dinâmicos: apoio semi-aberto, apoio fechado e apoio em salto sobre a perna direita (esquerdino).
- Adequar o apoio à "altura da bola".
- Equilibrio no batimento (cabeça direita, colocação correcta dos apoios, rotação dos ombros sobre o mesmo eixo).








Pedro Felner

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Grand Slam


(Escrito para Jornal OJE - Outubro de 2012)

O Grand Slam 

Este ano tive a oportunidade de, pela primeira vez, estar presente nos quatro torneios de Grand Slam em ténis: Open Austrália (Melbourne), Roland Garros (Paris), Wimbledon (Londres) e US Open (Nova Iorque). Qualquer um destes eventos, embora com ambientes diferentes, impressiona pela sua grandiosidade. Durante quinze dias, estas cidades “respiram” ténis. Em qualquer um dos torneios do Grand Slam, fiquei impressionado pela forma como as pessoas “vivem” o evento. São os outdoors por toda a parte, as televisões em directo nos cafés, bares e restaurantes, as centenas de carros oficiais a circular pelas ruas e, claro,  muitas centenas de intervenientes a deambular pela cidade, desde os próprios jogadores, a treinadores, árbitros e pessoal do staff da prova.

Em Wimbledon revive-se a história da modalidade num ambiente tipicamente british, onde a tradição ainda hoje impõe regras únicas (é o único torneio do mundo onde os jogadores são obrigados a equipar-se totalmente de branco). A relva dos campos, as flores a ornamentar todo o recinto do torneio, os balcões a vender morangos com chantili e a chuva constante completam o cenário muito próprio de Wimbledon.

No US Open, o ambiente é tipicamente americano embora seja perceptível a presença de muitos milhares de espectadores “turistas” que, juntando o útil ao agradável, aproveitam também para visitar a Big Apple. Animação nas bancadas, muita música, as entrevistas em pleno court no final dos encontros e o fast food também são imagens de marca do Grand Slam americano.  Na Austrália, predomina o estilo cool, com milhares de pessoas espalhadas pelo recinto, muita festa nas bancadas e muita cerveja para ajudar a ultrapassar o abrasador calor australiano.

O ténis em terra batida é talvez o mais apreciado pelos espectadores. O jogo é mais físico, mais longo e as estrelas que vencem em Paris são normalmente considerados verdadeiros “guerreiros” pela sua capacidade física e mental. Roland Garros junta milhares de crianças, jovens e menos jovens, todos na ânsia de ver o melhor ténis do Mundo sobre terra batida.

Todos os torneios do Grand Slam têm em comum o facto de serem autênticos negócios de milhões. Os bilhetes disponíveis para venda estão sistematicamente esgotados. Os sponsors, a restauração, o merchadising  e os direitos de transmissão televisiva são algumas das formas de financiamento destes eventos milionários. Quem tem acesso aos bastidores facilmente se apercebe da complexidade que envolve a sua organização. São milhares de colaboradores recrutados para um evento que dura apenas quinze dias.

Felizmente, uma grande fatia dos lucros angariados na organização destes torneios são canalizados para o desenvolvimento do ténis nos seus países. Não é por acaso que os países que organizam torneios do Grand Slam são dos que mais investem na promoção da modalidade e na formação de jovens talentos. Todos eles têm o sonho de ver, um dia, um tenista da casa a vencer o seu torneio. Grande parte dos lucros obtidos são canalizados para as respectivas federações nacionais para serem investidos no apoio à carreira de jovens tenistas.

Que falta nos fazia um torneio de Grand Slam!


Pedro Felner

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A teoria e a realidade do CAR (parte I)


Nunca comentei publicamente este CAR. Admiro as pessoas que lá trabalham mas acho que trabalham num conceito que está errado à nascença. No seu segundo ano de funcionamento, confirmam-se as piores, mas esperadas, expectativas. Tive a possibilidade de falar com o presidente da FPT antes do lançamento do CAR e lhe dar a minha opinião sobre o projecto: sou a favor do CAR. Sou, como sempre fui, contra este modelo de CAR. Sou a favor de um CAR que “lute” por ter jogadores top100 em Portugal, independentemente das suas opções técnicas.

Admiro o Presidente da FPT. Acho que está a fazer um excelente trabalho em algumas áreas. É um homem com uma grande paixão pelo ténis e de convicções fortes. Voltar a ter um centro de alto-rendimento na FPT era, e muito bem, uma ambição que tornou publica desde inicio. O problema foi ter acreditado que o novo CAR, com um modelo rigorosamente igual ao anterior, iria ter o sucesso que o anterior não teve. Pensava que tudo seria diferente se mudasse as “caras” do projeto e se arranjasse uma carrinha para pôr os nossos jogadores a competir regularmente nos futures da Península Ibérica.  

Temos de ser claros e falar verdade. Temos de assumir quais os objectivos do CAR. O Estado, que patrocina o CAR, deveria saber quais os verdadeiros objectivos que persegue o CAR. E deveria avaliar esses resultados. Só neste país se dá dinheiro a fundo perdido para projetos de alta-competição sem avaliar resultados e sem pedir explicações aos seus responsáveis. Se o objectivo deste CAR é formar jogadores Top100, queremos saber em quantos anos e quais os objectivos/resultados que se comprometem a alcançar até lá chegar.

Será que o Estado, que investe milhares de euros num projeto que tem como objectivo colocar jogadores portugueses no Top100 ATP tem noção que, em Portugal, um jogador com 19 anos que está no Top300 ATP não tem nenhum enquadramento neste CAR e não recebe 1 euro de apoio? 

Sejamos claros: ou queremos que o CAR seja uma estrutura gratuita de apoio a jogadores portugueses, com maior ou menor potencial, ou queremos que o CAR seja um projeto que tenha como finalidade ultima apoiar os atletas portugueses com mais possibilidades de chegar ao tal objectivo do Top100 do Mundo. Ou queremos que o CAR seja essencialmente (e salvo alguma honrosa excepção) um projeto que ajude a elevar o nível médio do nosso ténis, ajude os atletas a obter estatutos de alta-competição e formar bons jogadores para as universidades americanas, ou queremos um CAR que invista tudo o que tem para apoiar aqueles que têm mais possibilidade de chegar ao top mundial. Pelos vistos este modelo de CAR quer as duas coisas, mas muito dificilmente irá alcançar a ultima. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ténis, o que mudou...


O que mudou no ténis....aqui ficam algumas reflexões sobre a evolução do ténis ao longo dos últimos 20 anos!

Relativamente ao ensino, o ténis, tal como muitas outras modalidades, alterou as suas metodologias. Actualmente valorizam-se mais os aspectos motivacionais. Adaptou-se o contexto de aprendizagem (campos mais pequenos e redes mais baixas) e o material utilizado (bolas progressivas e raquetes mais pequenas) de forma a facilitar a aprendizagem e, desta forma, tentar introduzir o “jogo” o mais cedo possível. Já lá vai o tempo em que a primeira coisa que uma criança aprendia quando começava a praticar ténis era aprender, de forma analítica, as diferentes técnicas do ténis.

A ciência que estuda o movimento humano (biomecânica) tem proporcionado uma evolução constante ao nível da optimização da técnica, permitindo gestos técnicos cada vez mais potentes, precisos e económicos.

O desgaste a que os jogadores estão submetidos pelas cargas de treino e competição elevadíssimas e pela repetição constante de movimentos explosivos, faz do ténis uma modalidade muito exigente em termos físicos e, por isso, muito propicia ao aparecimento de lesões. Esta área tem sido alvo de muitos estudos e tem, cada vez mais, um papel fundamental na preparação dos jogadores. Actualmente, o trabalho de prevenção de lesões está muito em voga e faz parte do plano de treino de qualquer jogador profissional.

A competitividade também aumentou, tanto a nível juvenil como profissional. O ténis democratizou-se, tornando-se uma modalidade cada vez menos elitista,  levando ao aumento do número de praticantes. Por outro lado, e apesar da Europa ser tradicionalmente a grande potência do ténis mundial (basta ver que, actualmente, o Top 10 ATP tem 8 jogadores europeus e que nos 20 melhores deste Ranking, 16 são do velho continente!), o ténis tem vindo a expandir-se para países que não tinham qualquer tipo de tradição na modalidade, com  especial destaque para os países asiáticos (sendo a China e o Japão os melhores exemplos).

O conhecimento ao nível das ciências do desporto - fisiologia, psicologia, biomecânica, metodologia do treino, entre outras - tem evoluído muito, exigindo a integração de especialistas de cada uma destas áreas, no apoio ao treinador.  Esta integração das diferentes ciências do desporto no processo de treino constitui uma das principais características e necessidades do desporto actual.

A presença da tecnologia também tem marcado a modalidade ao longo dos últimos anos, tanto ao nível do treino, como da competição e dos materiais. Existem cada vez mais ferramentas ao dispor dos treinadores e preparadores físicos com o objetivo de optimizar os processos de treino (software de análise estatística, instrumentos para avaliação e controlo do treino, etc.). Os materiais, nomeadamente as raquetes, sofreram uma evolução considerável, de forma a garantir cada vez melhores índices de controlo e velocidade de bola.

O perfil do jogador também tem vindo a sofrer alterações. O ténis tornou-se cada vez mais físico e os jogadores cada vez mais completos. A potência do jogo aumentou e o serviço e a resposta assumem um papel cada vez mais decisivo. O jogo tem-se tornado cada vez menos táctico e cada vez mais físico. Hoje em dia os jogadores procuram essencialmente impor o seu jogo e a sua potência, fazendo apenas alguns ajustes tácticos em função do adversário. Isto é ainda mais visível no ténis feminino.

No passado existiam jogadores de top com estilos de jogo totalmente distintos. Quem não se recorda de ver Mats Wilander  ou Michael Chang a jogar de forma muito consistente ao fundo do campo e de Stefan Edberg ou Pat Cash a jogar serviço-rede! Agora, e com excepções pontuais, não se veêm jogadores de top com estilos de jogo tão distintos. Hoje os jogadores são bons a fazer tudo! Servem bem, respondem bem, são muito fortes ao fundo do campo e jogam na rede sempre que é necessário.

Apesar de ser uma modalidade muito conservadora ao nível dos regulamentos, têm sido introduzidas algumas medidas  no sentido de adaptar a modalidade às exigências do “desporto espectáculo”. Em alguns torneios, podemos assistir a entrevistas aos jogadores no court, música nas mudanças de campo, o treinador a dar instruções no campo (apenas em algumas provas WTA),  entre outras medidas que procuram tornar o ténis uma modalidade cada vez mais aliciante para os espectadores.


Visite o novo site da Felner Academy!


domingo, 9 de setembro de 2012

Obrigado!

O tempo nem sempre é muito e acabei por perder a rotina de ir actualizando o blogue. No entanto, acabei de chegar a Portugal e achei que este era o espaço adequado para agradecer as imensas mensagens de apoio e incentivo que temos recebido depois do US Open. É sempre muito gratificante recebê-las! Obrigado a todos! No entanto, esta vida nem sempre é feita de sucessos e de exposição e reconhecimento público. Grande parte do tempo é passado a trabalhar no anonimato, com muitas horas nos campos de ténis, nos aeroportos e nos hoteis. O Frederico é o grande responsável pelos sucessos que tem alcançado. Eu acabo por ser a parte mais visível da equipa que trabalha com ele e que o tem apoiado incondicionalmente. No entanto, para alcançar os resultados que tem alcançado, numa modalidade altamente globalizada e competitiva como é o ténis, são precisas muito mais pessoas. É com essas  pessoas que gostaria de partilhar este momento. Refiro-me antes de tudo aos pais. São eles que lhe dão a tranquilidade que necessita para estar na alta-competição e foram eles que o educaram com os princípios que tem e que contribuíram para formar a personalidade de um "campeão". Todos aqueles que diariamente trabalham (ou trabalharam!) conosco na Academia, e que acabam por formar a nossa "família do ténis", nomeadamente a Vânia Moreira, o Victor Juans, a Adriana Teixeira, o Tiago Olimpio, o Pedro Correia, o Luis Vazão, o Luis Cenicante e o Miguel Moreira. Ao Colégio Rainha D. Leonor, incansável no apoio ao Frederico e a todos os atletas da Academia. Sem as condições e o apoio que dão seria impossível conciliar a exigência do treino e da competição com o imprescindível sucesso escolar. À Direcção do Clube de Ténis das Caldas da Rainha, porque o projecto da Academia só é possível porque acreditaram no nosso trabalho e aceitaram esta parceria. A toda a equipa que dá apoio ao Frederico em diversas áreas, nomeadamente ao Luis Lopes (treino físico), ao Benedito (massagista), ao Marco Clemente (fisioterapeuta), ao Filipe Rebelo (encordoador, parceiro, amigo), aos diversos médicos que vamos pedindo apoio. Aos responsáveis da NIKE e da PRINCE porque acreditaram no Frederico, patrocinam a sua carreira e deram-lhe a possibilidade de continuar a tentar uma carreira no ténis. À FPT porque, apesar das suas limitações, apoiou o Frederico de forma significativa em alguns momentos da sua carreira. Por último, mas não menos importantes, a todos os nossos amigos que estão sempre conosco, mesmo quando perdemos (eles sabem quem são!!!).